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Comer Além Da Conta Não Mata Sua Fome! Entenda O Porquê

Comer além da conta não mata sua fome! Entenda o porquê

Por Valéria Marinho.

Comer por impulso e sem freio pode prejudicar regiões do cérebro que atuam na tomada de decisão e no controle de suas escolhas.
Um artigo publicado no Obesity Biology and Integrated Physiology(1) comparou a atividade cerebral na região do controle inibitório (onde ocorre a tomada de decisão) entre obesos com TCAP (Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica), e obesos sem TCAP e concluiu que os indivíduos obesos com TCAP possuem uma capacidade diminuída em recrutar regiões cerebrais relacionadas ao controle de impulsos.
No método do estudo, participantes foram submetidos a ressonância magnética funcional enquanto realizavam tarefas de desempenho de Stroop, onde as atividades cerebrais eram captadas durante as tarefas.
Especificamente, no grupo com TCAP o resultado mostrou atividade diminuída no córtex pré-frontal ventromedial, giro frontal inferior e ínsula durante o desempenho de Stroop. Essas regiões são responsáveis, não só pelo processamento da tomada de decisão, mas também tem o papel fundamental no processo de desejo pelos alimentos, fome, saciedade e a relação emocional com o consumo alimentar.
O estudo demonstra o recrutamento diminuído de sistemas frontais por indivíduos com TCAP e apoia a ideia de que o TCAP é caracterizado por distúrbios funcionais em áreas cerebrais implicadas no processamento do autocontrole. Alterações nos circuitos fronto-temporais são similarmente observadas em indivíduos com bulimia nervosa ou distúrbios neurodegenerativos que desenvolvem excessos compulsivos.
Levando em consideração que este transtorno alimentar é caracterizado por episódios recorrentes de compulsão alimentar (definida como comer quantidades extraordinariamente grandes de alimentos enquanto experimenta uma sensação subjetiva de perda de controle sobre a alimentação) e sofrimento acentuado, recomenda-se que o transtorno seja reconhecido o quanto antes, com a ajuda de um profissional especializado no assunto (psicólogo, psiquiatra, nutricionista ou endocrinologista) para que medidas de tratamento sejam aplicadas de maneira eficiente e possa evitar e/ou tratar problema metabólicos, como por exemplo a obesidade e suas consequências recorrentes, além de auxiliar na preservação da saúde cerebral.
(1) Balodis, et al. Divergent Neural Substrates of Inhibitory Control in Binge Eating Disorder Relative to Other Manifestations of Obesity. 2012.

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